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SuplementaçãoEstudo

Cafeína melhora desempenho de ciclistas mulheres, mostra meta-análise

Publicado em 26 de outubro de 2026

A cafeína é um dos suplementos ergogênicos mais estudados do esporte, mas a grande maioria dos estudos foi conduzida com homens, e simplesmente aplicar essas doses e protocolos a atletas mulheres pode não fazer sentido fisiológico: o metabolismo hepático da cafeína varia ao longo do ciclo menstrual, por influência do estrogênio e da progesterona, o que pode mudar tanto a velocidade de absorção quanto a duração do efeito. Para treinadoras e treinadores de ciclismo que orientam atletas mulheres, isso deixava uma lacuna prática real: vale a pena recomendar cafeína e, se sim, a fase do ciclo menstrual importa na hora de decidir a dose ou o momento de uso?

Uma revisão sistemática com meta-análise de três níveis, publicada no International Journal of Sport Nutrition and Exercise Metabolism, buscou responder isso. A busca cobriu três bases de dados, seguindo o framework PICOS e as diretrizes PRISMA, atrás de ensaios clínicos randomizados cruzados (crossover) que testassem cafeína em ciclistas mulheres. O modelo estatístico de três níveis foi escolhido para lidar com estudos que reportam mais de um desfecho de desempenho por participante, evitando inflar artificialmente o tamanho da amostra. Os autores também testaram, por análises de subgrupo, se o efeito da cafeína variava conforme a dose usada, o nível de treino das atletas e a fase do ciclo menstrual em que o teste foi feito, e avaliaram o risco de viés de cada estudo com a ferramenta RoB 2.

Entraram 19 ensaios clínicos randomizados cruzados, somando 235 ciclistas mulheres. A meta-análise combinada mostrou um efeito ergogênico pequeno, porém estatisticamente significativo e com alta certeza de evidência, da cafeína sobre o desempenho no ciclismo (diferença média padronizada de 0,21, intervalo de confiança de 0,11 a 0,29). A heterogeneidade entre os estudos foi baixa e não significativa, o que reforça a consistência do resultado entre os diferentes protocolos incluídos.

O achado mais interessante aparece nas análises de subgrupo. Nem a dose de cafeína usada, nem o nível de treino das atletas, mudaram o tamanho do efeito de forma significativa — ou seja, o benefício parece se manter através de diferentes doses e níveis de condicionamento. Já a fase do ciclo menstrual importou: o efeito ergogênico foi significativo e maior especificamente na fase lútea média (diferença média padronizada de 0,26), enquanto nas demais fases do ciclo o efeito não atingiu significância estatística.

Na prática, o estudo dá suporte ao uso de cafeína como ferramenta ergogênica também para ciclistas mulheres, população historicamente pouco representada nos estudos sobre esse suplemento. O efeito é pequeno, mas consistente, e não parece depender muito da dose exata usada, o que dá certa flexibilidade para ajustar o protocolo à tolerância individual de cada atleta. O dado sobre a fase lútea média sugere que pode valer a pena registrar em que fase do ciclo cada atleta está ao testar ou ajustar o protocolo de cafeína, embora isso ainda não deva ser tratado como regra fixa. Qualquer estratégia de suplementação com cafeína deve respeitar a tolerância individual à substância (efeitos como ansiedade, taquicardia e insônia variam muito de pessoa para pessoa) e, em atletas sujeitas a controle antidopagem, vale conferir as normas da respectiva federação, já que a cafeína é monitorada pela WADA embora não seja substância banida.

As limitações: os próprios autores apontam que poucos dos 19 estudos incluídos fizeram uma avaliação rigorosa e consistente da fase do ciclo menstrual das participantes, o que limita a força da conclusão sobre o efeito ser realmente maior na fase lútea média — um achado que ainda precisa de confirmação em estudos desenhados especificamente para isso. A avaliação de risco de viés classificou os estudos incluídos como tendo "algumas preocupações" metodológicas, e a amostra é específica de ciclismo, então a extrapolação direta para outras modalidades pede cautela.

Referências