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EstratégiaEstudo

Sauna ou banho quente pós-treino melhora o desempenho? Diz a ciência

Publicado em 27 de outubro de 2026

Sauna e banho de imersão em água quente depois do treino se popularizaram como estratégia de resistência: a ideia é que expor o corpo ao calor logo após a sessão simule parte da adaptação ao calor (aclimatação) sem precisar treinar sob calor real, e que isso ajude tanto em provas disputadas em clima quente quanto em temperatura amena. Essa versão passiva é mais prática que a aclimatação ativa — treinar de fato em ambiente quente —, que já tem respaldo bem estabelecido na literatura para quem vai competir no calor. Mas será que a versão passiva entrega os mesmos ganhos de desempenho?

Uma revisão sistemática com meta-análise publicada na BMC Sports Science, Medicine and Rehabilitation, com protocolo registrado previamente na Open Science Foundation, buscou responder exatamente essa pergunta. A busca cobriu cinco bases de dados por ensaios que comparassem adultos saudáveis submetidos a um programa de treino com exposição ao calor pós-exercício (sauna ou imersão em água quente) contra um grupo controle que fez o mesmo treino sem exposição ao calor. Os desfechos avaliados incluíram desempenho no calor (desfecho primário), desempenho em temperatura amena, VO2máx, limiar de lactato, economia de movimento, frequência cardíaca, percepção de esforço, temperatura central, taxa de sudorese e sensação térmica. O risco de viés foi avaliado pela ferramenta RoB 2 da Cochrane, e a força da evidência de cada desfecho, pelo sistema GRADE.

Entraram 10 estudos, somando 199 participantes (156 homens e 43 mulheres, de 20 a 32 anos). O efeito da exposição ao calor pós-exercício sobre o desempenho em condições de calor (33°C a 40°C) foi trivial: razão de médias de 1,04 (intervalo de confiança de 95% de 0,94 a 1,15; p=0,46), com baixa certeza preditiva (intervalo de predição de 95% de 0,81 a 1,33). O efeito também foi trivial sobre o desempenho em temperatura amena (18°C a 24°C) e sobre a velocidade no limiar de lactato.

Houve efeitos pequenos sobre VO2máx, frequência cardíaca, temperatura central e taxa de sudorese, e um efeito moderado sobre a sensação térmica percebida — ou seja, os participantes relataram se sentir mais adaptados ao calor, sem que isso se traduzisse em desempenho melhor. Os próprios autores classificaram a certeza da evidência como baixa a muito baixa em todos os desfechos, por causa do tamanho pequeno das amostras, alto risco de viés nos estudos incluídos, risco de viés de publicação, baixa precisão nas estimativas e baixo poder estatístico.

Na prática, o estudo não dá base para prometer que a exposição passiva ao calor depois do treino — sauna ou banho de imersão quente — vai melhorar o desempenho em prova, seja em clima quente ou ameno. É importante separar isso da aclimatação ativa ao calor (treinar efetivamente em ambiente quente antes de uma prova disputada em calor), estratégia com respaldo bem mais consistente na literatura e que continua sendo a recomendação preferencial para quem vai competir em condições de calor. A exposição passiva ao calor pode até ter lugar numa rotina de recuperação pelo conforto percebido, mas não deve ser vendida como substituto de treino nem como garantia de ganho de desempenho, e qualquer protocolo de calor deve respeitar hidratação adequada e tempo de recuperação entre sessões.

As limitações: apenas 10 estudos e 199 participantes entraram na revisão, com amostra majoritariamente masculina, e os próprios autores classificam o risco de viés como alto na maioria dos estudos incluídos, com baixo poder estatístico para detectar efeitos reais caso existam. Mais ensaios clínicos de alta qualidade, com amostras maiores e protocolos padronizados de exposição ao calor, ainda são necessários antes de qualquer conclusão mais firme sobre o tema.

Referências