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CiclismoEstudo

Treino de força pesada melhora eficiência e potência do ciclista de resistência

Publicado em 26 de setembro de 2026

O desempenho de um ciclista de resistência não depende só do quanto ele consegue captar de oxigênio no VO2máx. Fatores como a eficiência de pedalada (quanta potência ele produz para cada litro de oxigênio consumido) e a capacidade de gerar potência anaeróbia em ataques e finais de prova também pesam bastante no resultado final. Por isso, uma dúvida recorrente entre treinadores é se vale a pena tirar tempo de pedal para colocar o ciclista na sala de musculação, e com que intensidade.

Uma revisão sistemática com meta-análise publicada no European Journal of Applied Physiology reuniu estudos controlados e randomizados que compararam ciclistas de resistência que somaram treino de força pesado (cargas de 80% de 1RM ou mais, por pelo menos três semanas) ao treino de bike com ciclistas que treinaram só na bicicleta. A busca cobriu PubMed, Web of Science e Scopus até fevereiro de 2025, e a qualidade metodológica de cada estudo foi avaliada pela escala PEDro, com o nível de confiança das conclusões classificado pelo sistema GRADE.

Ao todo entraram 17 estudos, somando 262 ciclistas (60 mulheres) com VO2máx inicial médio de 61,25 ml/kg/min — ou seja, atletas já bem treinados, não iniciantes. As intervenções de força duraram de 5 a 25 semanas, com 1 a 3 sessões semanais, cobrindo desde estímulos curtos até programas de médio prazo.

O treino de força pesado melhorou de forma significativa a eficiência de pedalada (tamanho de efeito de 0,353), a potência anaeróbia (0,560) e o desempenho em provas contra o relógio ou testes até a exaustão (0,463). Não houve efeito significativo sobre o VO2máx, a potência associada ao VO2máx, a máxima fase estável de metabolismo (MMSS) ou a capacidade anaeróbia. Nenhuma característica dos atletas ou dos protocolos — sexo, massa corporal, altura, nível de treinamento, duração ou frequência semanal — mudou esse resultado de forma relevante.

Na prática, isso sugere que somar sessões de força pesada à rotina de um ciclista já treinado tende a destravar ganhos de potência e economia de pedalada que o treino aeróbio sozinho não entrega, sem precisar elevar o volume na bike. O ganho não vem de aumentar o VO2máx, e sim de pedalar de forma mais eficiente e de produzir mais potência sem depender só do metabolismo aeróbio — o que ajuda em ataques, subidas curtas e finais de prova.

A ressalva dos próprios autores é que o nível de confiança das evidências foi classificado como baixo, e como nenhuma variável de dose (frequência, duração, número de sessões) alterou o resultado, ainda não dá para apontar um protocolo ideal de força para ciclistas — apenas que treinar pesado, de alguma forma, parece ajudar. Mais estudos com desenhos padronizados são necessários para definir volume e frequência ótimos.

Referências